quarta-feira, 23 de abril de 2025

ABRAXAS



The bird fights its way 
out of the egg. 
The egg is the world. 
Who would be born 
must destroy a world. 
The bird flies to God. 
That God's name is Abraxas.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

O mal


Afasta de mim o mal,
a maldade,
o nazismo, amém.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

O professor por Rogério Skaylab


O professor enquanto dava a sua aula reparou que os alunos não manifestavam nenhum interesse. Pra ele, a explicação daquele estado de coisas é que muitos, pela primeira vez, estavam entrando em contato com uma nova forma de raciocínio. (+)

O professor se viu então numa encruzilhada: ele poderia tentar adaptar sua linguagem a fim de que seus alunos pudessem fazer aquela travessia de uma forma menos espinhosa - encenar um espetáculo com os alunos, criar debates em sala de aula...; (+)

por outro lado, quanto mais ele criava alternativas para se aproximar do universo de seus pupilos, mais se afastava da matéria. As adaptações que viesse a fazer, a substituição de um léxico tão estranho por palavras mais acessíveis... o distanciavam cada vez mais da matéria. (+)

Mesmo com o risco de desistência por parte dos alunos, fez sua opção: não cedeu em nada. E a sala foi esvaziando. Pra maioria, era insuportável, incompreensível, "o professor era maluco". A sala de aula foi ficando vazia, cada vez mais vazia, até que não sobrou ninguém. (+)

Mesmo assim, sempre no mesmo horário, lá estava o professor. Lá fora, a revolução social explodia. Nessa ocasião, há quem o tenha visto explicando a matéria pra sala vazia. E ainda teria acrescentado: "completamente vazia".

Twiitado por Rogério Skaylab em https://twitter.com/rogerioskylab/status/1698921229846032737?t=bPjFu0BGNXwoi9vvJUsoNQ&s=19

quinta-feira, 2 de maio de 2024

O Lobo da Estepe do Hermann Hesse

 (Hermann Hesse:  O Lobo da Estepe Ed. Record, Rio de Janeiro, 1955. )

"E ainda que o resto do caminho até o ocaso fosse inteiramente desfigurado, o cerne desta vida fora nobre, tinha feição e estirpe, não girara em torno das moedas, mas em torno das estrelas."

Esse trecho do livro O Lobo da Estepe do Hermann Hesse, é um dos que mais me impactaram das leituras que fiz. Pra constar.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Quando a Biologia faz falta ao cidadão

(Imagem do antigo site Polegar Opositor)

Texto publicado em 2009, por Renato Chaves Azevedo, em um antigo site polegaropositor.com.br. É possível acessar o texto no arquivo da web.

O naturalista britânico Charles Darwin foi imortalizado pelo livro que publicou em 1859, “A Origem das Espécies por meio da Seleção Natural”. Nesse livro ele faz uma grande síntese de várias idéias sobre evolução biológica que estavam borbulhando em sua época e propõe um mecanismo pelo qual a evolução poderia ocorrer: a seleção natural. A idéia básica é a de que existem muito mais indivíduos nas populações do que a quantidade que os recursos do ambiente dão conta de sustentar (idéia que ele emprestou de Malthus) e, sendo assim, vários indivíduos morrem. Quais indivíduos? Darwin acreditava, embora não soubesse explicar, que existiam variações entre os indivíduos de uma mesma espécie e que essas diferenças tornavam alguns indivíduos mais aptos do que outros a sobreviver em determinado ambiente. Assim, os indivíduos que tivessem características que os favorecessem a conseguir mais alimento, gastar menos energia, etc., teriam uma chance muito maior de sobreviver do que os que não tivessem essas características ou a tivessem num nível menos eficiente. É importante ressaltar que o que define se uma característica é vantajosa ou não é o ambiente; ter respiração branquial pode ser uma ótima estratégia se você for um ser aquático, mas provavelmente vai te matar se você for terrestre.

A idéia parece simples, mas não é tão fácil assim entende-la, e as tentativas de simplificação da teoria de Darwin dificilmente são bem sucedidas. Duas frases ficaram muito famosas e são sempre lembradas quando se fala de evolução: (1) “Os mais fortes sobrevivem” e (2) “A sobrevivência dos mais aptos”, e muita gente acha que a evolução é simples assim.

No séc. XIX, um grupo bastante parcial utilizou a teoria da evolução de Darwin para justificar as desigualdades sociais e para propor uma forma “científica” de acabar com ela. Esse movimento ficou conhecido como Darwinismo Social, e a idéia era bem clara: “Se são os mais aptos que sobrevivem, e os pobres não conseguem sobreviver direito, então eles não estão bem adaptados à vida na sociedade. Eles devem ser eliminados”. É isso mesmo que você leu. Se existem ricos e pobres, é por que os ricos devem ter alguma característica intrínseca que os favorece, e essa característica é boa para a espécie humana. Os pobres, por sua vez, são pobres por que devem ter alguma característica intrínseca (incompetência, vagabundagem, etc.) que os desfavorece, e essas características são ruins para a espécie humana. Sendo assim, se a gente matar todos os pobres, vamos eliminar os indivíduos que têm características ruins para a nossa espécie e, dessa forma, vamos contribuir para a evolução humana. Mãos a obra!

De fato, colocaram as mãos pra trabalhar. A idéia de melhoramento da espécie humana, conhecida como Eugenia, mobilizou muitas pessoas. Essas pessoas se organizavam em instituições (Sociedades Eugênicas) e faziam intervenções na sociedade como, por exemplo, programas de castração de pobres. No séc. XX, Hitler, um grande camarada eugênico, utilizou esse mesmo ideário para dizer que os judeus e os negros eram inferiores e para justificar que a raça ariana era a melhor. No Brasil existia o Comitê Central de Eugenismo, que propunha a proibição da imigração de não brancos e medidas para impedir a miscigenação. Dizem as más línguas que Monteiro Lobato, o renomado escritor infantil, fazia parte desse comitê (Jeca Tatu e Tia Nastácia que o digam!).

Darwin não tinha a menor intenção de que nada disso ocorresse, e inclusive dedicou um livro inteiro à evolução humana (“The Descent of Man”, de 1869) para deixar claro que há diferenças entre a seleção natural e a seleção em humanos. Mas isso não adiantou muito; seu próprio filho (um dos 10) foi um dos primeiros cérebros do movimento eugênico na Inglaterra.

Foi tudo isso um grande mal entendido dos escritos de Darwin ou será que distorceram propositalmente a teoria do grande naturalista para justificar genocídios e campos de concentração? No final das contas, não importa muito. Esse movimento, embora enfraquecido, ainda está vivo, e tomou outras formas. Enquanto muita gente acha que evolução se resume a pescoços de girafa tentando alcançar as folhas mais altas das árvores, negros e outras minorias ainda sofrem intensa discriminação, e de vez em quando ainda aparecem alguns cientistas falando das vantagens do “embranquecimento da população mundial”.

O fato é que é preciso entender muito bem a teoria evolutiva para desconstruir esses argumentos tendenciosos e perceber que não é bem assim que as coisas funcionam. “Os mais fortes sobrevivem” é uma simplificação ingênua demais de uma teoria altamente complexa, principalmente quando aplicada a uma espécie que não tem apenas diferenças morfológicas e comportamentais, mas também culturais.

Se alguém achava que a Ciência só faz interface com a sociedade quando aplicada à tecnologia ou à saúde, espero ter dado um bom exemplo para mostrar que essa relação é muito mais íntima do que parece, como bem podem dizer os judeus, ou os negros, ou os pobres.

Para saber mais, leia esse texto aqui:

Bizzo, 1995 – Eugenia: Quando a Biologia faz falta ao cidadão.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

O Ovo

 The Egg

Written by Andy Weir

Translated by Carlos Buosi

 

Você estava a caminho de casa quando morreu.

Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os para-médicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.

E foi aí que você me conheceu.

"O que-... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"

"Você morreu," Eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.

"Havia um caminhão.. e ele derrapou.."

"Isso aí," Eu disse.

"Eu.. Eu morri?"

"É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre," Eu disse.

Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. "Que lugar é esse?" Você perguntou. "Isso é o paraíso?"

"Mais ou menos," Eu disse.

"Você é Deus?" Você perguntou.

"Isso ai," Respondi. "Eu sou Deus."

"Meus filhos... minha mulher," você disse.

"O que tem eles?"

"Eles ficarão bem?"

"É isso que eu gosto de ver," Eu disse. "Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa."

Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso.

"Não se preocupe," Eu disse. "Eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de sentir algo ruim por você. Sua mulher vai chorar, mas vai ficar secretamente aliviada. Pra ser sincero, seu casamento estava desmoronando. Se serve como consolo, ela vai se sentir muito culpada por se sentir aliviada."

"Ah.."Você disse. "Então o que acontece agora? Eu vou para o Céu, pro Inferno ou alguma coisa do tipo?"

"Nenhum dos dois" Eu disse. "Você vai reincarnar."

"Ah," você disse. "Então os Hindus estavam certos,"

"Todas as religiões estão certas de alguma forma," Eu disse. "Venha comigo."

Você me seguiu enquanto caminhavamos pelo vazio. "Aonde estamos indo?"

"A lugar nenhum específico," Eu disse. "Só gosto de andar enquanto conversamos."

"Então que sentido isso faz?" Você perguntou. "Quando renascer, eu vou esquecer tudo, não é?" Um bebê. Então todas as minhas experiências e tudo que fiz nessa vida não significaram nada."

"Não é por aí!" Eu disse. "Você tem dentro de você todo o conhecimento e experiências de todas as suas vidas passadas. Você só não lembra dessas coisas agora."

Eu parei de andar e coloquei as mãos em seus ombros. "Sua alma é mais magnífica, linda e gigantesca do que você possa imaginar. Sua mente humana pode apenas entender uma pequena fração do que você é. É como colocar o seu dedo em um copo de vidro e ver se está quente ou frio. Você coloca uma pequena parte de você em jogo, e quando tira, você percebe que aprendeu tudo que podia por lá.

Você foi um humano nos últimos 48 anos, então ainda não deu tempo de você perceber o resto da sua imensa consciência. Se nós ficarmos aqui por muito tempo, você começará a lembrar de tudo. Mas não faz sentido fazer isso entre cada vida."

"Quantas vezes eu já reencarnei, então?"

"Ah, muitas. Muitas e muitas. E em muitas vidas diferentes." Eu disse. "Dessa vez, você será uma camponesa chinesa no ano 540 D.C."

"Es-espera aí, como?" Você gaguejou. "Você está me mandando de volta no tempo?"

"Bem, tecnicamente. Tempo, da forma como você conhece, só existe no seu universo. As coisas funcionam de outro jeito de onde eu venho."

"De onde você vem?" Você disse.

"Ah claro, " Eu expliquei "Eu venho de algum lugar. Um lugar diferente. tem outros como eu. Eu sei que você quer saber como é lá, mas honestamente, você não iria entender."

"Ah," Você disse, um pouco desanimado. "Mas espera. Se eu reencarno em diferentes lugares no tempo, eu poderia ter interagido comigo mesmo alguma vez."

"Claro. Acontece o tempo todo. E já que as duas pessoas tem apenas consciência da sua própria vivência, você nunca sabe que está acontecendo."

"Então, qual é o sentido?"

"Ta falando sério?" Perguntei. "Sério? Você está me perguntando o sentido da vida? Isso não meio clichê?"

"Bem, é uma pergunta plausível," Você persistiu.

"Eu te olhei nos olhos. "O sentido da vida, motivo pelo qual eu criei todo o seu universo, é para que você amadureça."

"Você ta falando da humanidade? Você quer que nós amadureçamos?"

"Não, somente você. Eu fiz todo esse universo para você. Para que em cada nova vida você cresça, amadureça e se torne um intelecto maior."

"Só eu? E as outras pessoas?"

"Não há mais ninguém," Eu disse. "Nesse universo, só existe você e eu."

Você me olhou com um olhar vazio. "Mas e todas as pessoas da Terra..."

"Todos são você. Diferentes encarnações de você."

"Que? Eu sou todo mundo?"

"Agora você está entendendo, "Eu disse, te dando uma tapinha nas costas.

"Eu sou todo ser humano que já viveu?"

"Ou quem irá nascer, sim."

"Eu sou Abraham Lincoln?"

"E você é John Wilkes Booth, também, " Completei.

"Eu sou Hitler?" Você disse, horrorizado.

"E também é os milhões que ele matou."

"Eu sou Jesus?"

"E também é todos que o seguiram."

Você ficou em silêncio.

"Toda vez que você enganou alguém, " Eu disse, "você estava enganando a si mesmo. Cada ato de bondade que você teve, foi feito para consigo mesmo. Cada momento feliz e triste que você teve com qualquer pessoa foi, e será, aproveitado com você."

Você ficou pensando por um longo tempo.

"Por quê?" Você me perguntou. "Por que fazer tudo isso?"

"Porque algum dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Você é um dos meus. Você é meu filho."

"Nossa," você disse, incrédulo. "Quer dizer que sou um Deus?"

"Não, ainda não. Vocé um feto. Você ainda está crescendo. Quando tiver vivido todas as vidas humanas em todas as eras, você terá crescido o suficiente para nascer."

"Então todo o universo," você disse, "é somente..."

"Um ovo." Respondi. "Agora é hora de você ir para sua próxima vida."

E eu enviei você de volta.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

O Atleta e seu súdito

 

(Clique na imagem para ampliar)

Imagem elaborada em IA - DALL-E 2.

terça-feira, 25 de julho de 2023

"微風細雨 - 青山"


微風細雨 - 青山  .

詞曲:林功信 .

微風吹著浮雲,細雨漫漫飄落大地,

淋著我淋著你,淋得世界充滿詩意。

微風伴著細雨,像我伴著可愛的你,

看著我看著你,看這世界多麼美麗。

啊,願我是風你是雨,

啊,微風盡在細雨裡。

漫步青青草地,小草也在輕輕低語,

訴說無盡秘密,讓我們共尋覓。

微風吹著浮雲,細雨漫漫飄落大地,

淋著我淋著你,淋得世界充滿詩意,

微風伴著細雨,像我伴著可愛的你。

看著我看著你,看這世界多麼美麗,

啊,願我是風你是雨,

啊,微風盡在細雨裡。

漫步青青草地,小草也在輕輕低語,

訴說無盡秘密,讓我們共尋覓。

訴說無盡秘密,讓我們共尋覓,

訴說無盡秘密,讓我們共尋覓。

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Os cátaros e a santa igreja


Os cátaros foram membros de um movimento religioso cristão que surgiu na região da França medieval, principalmente nos séculos XI e XII. Eles também são conhecidos como albigenses, devido à cidade de Albi, no sul da França, onde o movimento se espalhou consideravelmente. O catarismo era uma forma de gnosticismo dualista, que acreditava em um conflito cósmico entre o mundo espiritual bom e o mundo material mal.


Principais crenças do catarismo:

  • Dualismo: Os cátaros acreditavam que o mundo material era inerentemente mal, enquanto o mundo espiritual era bom. Eles viam a matéria, incluindo o corpo humano, como uma prisão para a alma, que precisava ser libertada.
  • Reencarnação: Os cátaros acreditavam na reencarnação, e a libertação da alma do ciclo de nascimento e morte era um objetivo central de sua fé.
  • Rejeição da igreja estabelecida: Eles criticavam a Igreja Católica Romana, considerando-a corrupta e distante do verdadeiro ensinamento de Jesus.
  • Desprezo pelos sacramentos: Os cátaros rejeitavam a maioria dos sacramentos da Igreja Católica, acreditando que eles não eram necessários para a salvação e que o verdadeiro batismo era o batismo do Espírito Santo.


A perseguição aos cátaros:

As crenças dos cátaros eram consideradas heréticas pela Igreja Católica, e, como resultado, eles foram perseguidos durante um período conhecido como a Cruzada Albigense (1209-1229). Esta cruzada foi convocada pelo Papa Inocêncio III para eliminar a heresia cátara na região do sul da França.

A cruzada resultou em uma série de batalhas e massacres, incluindo o infame Cerco de Béziers em 1209, onde milhares de cátaros e outros habitantes da cidade foram mortos. A perseguição não se limitou apenas aos conflitos armados; também houve inquisições e julgamentos realizados pelo Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) para erradicar os cátaros.

Após a supressão da heresia cátara, a influência do movimento diminuiu significativamente. Alguns cátaros restantes podem ter se integrado a outras comunidades religiosas ou desaparecido gradualmente.

Texto e imagem criados em IA, ChatGPT e Dall-E respectivamente.

terça-feira, 20 de junho de 2023

As máximas Délficas


(Templo de Apolo - IA)

As Máximas Délficas eram consideradas conselhos sábios e orientações para a vida. Elas foram atribuídas ao próprio deus Apolo e muitas vezes eram consultadas pelos antigos gregos para obterem direcionamento e sabedoria.

Essas máximas foram inscritas em placas de bronze e exibidas no Templo de Apolo em Delfos. No entanto, não há informações precisas sobre o número exato de inscrições. Além disso, é importante notar que ao longo do tempo algumas máximas foram perdidas ou danificadas, e o que nos resta hoje são fragmentos e citações dessas antigas inscrições.


As Máximas Délficas abordam uma variedade de temas, desde ética e virtude até conselhos práticos para a vida cotidiana. Algumas das máximas mais conhecidas incluem:


"Conhece-te a ti mesmo."

"Nada em excesso."

"Honra teus pais."

"O tempo é o melhor juiz de todas as coisas."

"Pratique a moderação em todas as coisas."

"Mantenha segredos."

"Respeite os deuses."

"Seja corajoso em tempos de dificuldade."

"Aprenda a ouvir antes de falar."

"Seja grato pelas bênçãos recebidas."


Texto e imagem criados em IA, ChatGPT e Dall-E respectivamente.


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Cogumelo Rosa

 


Cogumelo rosa com lua cheia de fundo. Feito em IA.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Para viver é preciso coragem


Tanto a semente intacta, como aquela que está rompendo sua casca tem as mesmas propriedades.

Entretanto, só a que está rompendo sua casca é capaz de lançar-se na aventura da vida.


Esta aventura requer uma ousadia única: descobrir que não se pode viver através da experiência dos outros e estar disposto a entregar-se.

Não se pode pegar os olhos de um, os ouvidos de outro, para saber de antemão o que vai acontecer, cada existência é diferente da outra.


Seja o que for que me espera, eu desejo estar com o coração aberto para receber.

Que eu não tenha medo de colocar o meu braço no ombro de alguém, até que ele seja cortado.

Que eu não tema fazer algo que ninguém fez antes, até que seja ferido.

Deixe-me ser tolo hoje, porque a tolice é tudo que eu tenho para dar esta manhã; eu posso ser repreendido por isso, mas não tem importância.

Amanhã quem sabe, eu serei menos tolo.


Khalil Gibran

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Macbeth

“Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.”

(William Shakespeare, 1603-1607)

quinta-feira, 16 de julho de 2020

[Poema 20] - Kabir


"Ó minha alma, para onde pretendes navegar?
Não há viajante a quem seguir, não há roteiro.
Que oceano atravessarás, em que praia descansarás,
Se não há mar, não há barco, não há barqueiro?

Se não há lugar, se não há hora, se não há meios,
Como acharás a água capaz de saciar tua sede?
Sê forte e volta-te para o interior de ti mesma:
Lá encontrarás chão firme, lá construirás tua sede.

Kabir diz: Põe toda imaginação de lado,
E permanece impassível naquilo que és."

Referência:

KABIR (1440-1518). Kabir: cem poemas. Seleção e tradução ao inglês de R. Tagore. Tradução, ensaios e notas de José Tadeu Arantes. São Paulo: Attar, 2013.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

sermão do charlatão


ouvindo o barulho da água escorrer num riacho, 
o canto dos pássaros 
ou uma sinfonia  de música clássica 
me sinto próximo do espírito Santo 
o contrário ao ouvir o sermão de um charlatão.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

O tempo voa

(Azulejão, 2016 - Adriana Varejão)

amanhã é 2020 ...
depois 2045.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

DEMOCRACIA

(Guernica, 1937 - Pablo Picasso)

Democracia não virá
hoje, este ano
jamais
pelo compromisso e o pânico.

Tenho tanto direito
quanto qualquer sujeito
de ficar
sobre meus dois pés
e com terra para arar.

Estou cheio dessa ladainha
Deixa a coisa rolar.
Amanhã é outro dia.
Não preciso da minha liberdade, morto.
Não consigo viver de pão mofado.

Liberdade
é uma semente forte
plantada
na maior sorte.
Vivo aqui, também.
Quero liberdade
Como a você convém.

Traduzida de LANGSTON HUGHES

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Mises, Ayn Rand e Olavo de Carvalho.

O Brasil precisa mesmo ser pacificado. Mas não é agora que isso vai acontecer, independente de quem vença as eleições este ano.

O senso comum midiático está propondo que se pacifique o país mudando o comportamento de apenas um lado, o esquerdo, e que se silencie apenas um candidato, o Bolsonaro. Mas de nada isso vai adiantar enquanto "centro-político" formador de opinião da sociedade, estiver na mão de uma direita extremamente radicalizada, que sequestrou a ideia de "liberdade" para eles, onde todo o resto é inimigo que tem que ser abatido.

Como uma pessoa que, modestamente e sem pretensão acadêmica, estudou muito mais o liberalismo, a direita e o neoliberalismo, do que o marxismo ou movimentos de esquerda, eu afirmo que o que essa gente tem defendido, é o que de pior já existiu desde que os fascismos e nazismos foram gestados no século passado.

Vamos aos fatos:

O representante do "Partido Novo" carioca, que se coloca como a nova direita, pura, limpinha e liberal, votando contrário ao ensino laico no Rio de Janeiro, na última semana, é um bom termômetro para tal.

E isso é uma coisa de geração, o Brasil só vai ser pacificado quando toda essa geração for superada. Enquanto isso, o futuro é um cenário de violência, perseguição e reafirmação da pobreza.

O Brasil é o único país do mundo onde a Escola Austríaca ganhou predominância na direita "jovem", e está ganhando o debate no campo moral e social da forma mais suja possível. Enquanto que o campo econômico está hegemonizado pela Escola de Chicago. Até a centro-direita keynesiana, virou comunismo pra essa gente!

E porque afirmo que essa gente é violenta? Porque eles não tem mais a vergonha e nem o pudor de afirmar e defender que a violência seja praticada em nome "das liberdades". Sendo que uma liberdade que prevê miséria, concentração de renda, heroicização da elite e criminalização da pobreza. Porque foi isso que os três maiores teóricos dessa gente propuseram durante o último século, e propõem atualmente: Ayn Rand, Mises e Olavo de Carvalho.

Estes três autores formaram, meio que sem querer, um arcabouço retórico que fez com que jovens privilegiados pudessem defender os próprios privilégios sem o sentimento de culpa. Se a miséria existe, ela passou a ser culpa dos próprios miseráveis ou então de um espantalho morto e sepultado, transformado em inimigo metafísico: o comunismo.

E qual é o perigo real deles?

Bem, ideias, dependendo de quais sejam, são sim perigosas. E liberdade enquanto conceito é algo extremamente safado, pois o limite do usufruto dessa mesma liberdade é o dinheiro, e a capacidade de poder de suas ideias, idem. Todos os ideais defendidos por estes três autores estão se alastrando como erva daninha no país, por conta do uso financeiro abusivo que certos grupos empresariais fomentadores desses discursos vem lançando mão. Enquanto ideias que defendem igualdade e superação da pobreza, não apenas não possuem mais nenhuma permeabilidade social, como ainda são ridicularizadas por cupinchas pagos, com vasto poder midiático.

Pessoas com dinheiro, bem vestidas, fazendo conferências em hotéis caros, rodeados de poderosos. É irresistível. A classe média que tem síndrome de lombriga, ou seja, não pode ver uma merda que já abraça, mergulha de cabeça nesse balde de excrementos, como se estivesse inventando a roda.

Que liberdade é essa então, cara pálida?

É violento e hediondo que ricos, playboys e pessoas de classe média financiem, espalhem e defendam campanhas que viabilizem a privatização do SUS, da educação pública, a favor do fim dos direitos trabalhistas e etc.

Quem são os formadores dessa gente?

Olavo de Carvalho, é uma triste e folclórica figura que, de astrólogo a filósofo charlatão, e até de hospício já fugiu, em pouco tempo virou autor de best-seller no Brasil e leitura obrigatória de poderosos, jornalistas da Band, SBT, Jovem Pan e jovens de classe-média em geral.

Ludwig Von Mises, foi uma espécie de olavão que até o fascismo e o nazismo defendeu em nome "das liberdades". E por sinal, já li um de seus livros, o "Ação Humana", considerado a sua bíblia, e justamente por ter lido, me deixou abismado como pode uma obra tão medíocre formar tantas cabeças?

O livro é uma defesa sem vergonha do capital, e ninguém sequer questiona algo nele: Mises manipula milhares de vezes a ideia de "liberdade individual" coadunada com "sujeitar às regras do mercado". Ora, onde está a liberdade filosófica se a regra do mercado, para ser atingida, precisa ser sujeitada para tal, por meio uma mão estatal e cultural?

Já em relação à Ayn Rand, o caso é mais complexo. Pois eu nem sabia que essa senhora era considerada uma das maiores pensadoras da "direita" até 2012. E essa aí, no meu modo de vista, serviu de ponte para que a direita brasileira conquistasse essa roupagem que tem hoje. Se Mises e Olavo eram caras toscos, a Ayn Rand conquistou a classe média "de bem".

Em 2012 eu trabalhei na Oi com um camarada que era militante de um tal de "Partido Pirata". Esse cara, o que tinha de bem intencionado, tinha também de contraditório. Ele era um combo que hoje é quase um estereótipo: trabalhava com tecnologia, cicloativista, vegetariano, da esquerda libertária, estudante da UFSC, morador do Campeche e eleitor do Elson e da Dilma ("mas só no segundo turno", dizia ele), ao mesmo tempo em que achava que o Estado era uma merda.

Paramos de nos falar na época das marchas de Junho de 2013, mas isso é história para outra hora.

Por insistência desse colega de trabalho, li uma trilogia de quase 1200 páginas, de uma tal de Ayn Rand, que na época eu desconhecia, chamada "A Revolta de Atlas".

Não digo que a leitura do livro foi algo torturante. A narrativa era fluída e de fácil leitura. Você não lia uma página, fechava o livro, e ficava alguns minutos refletindo sobre um soco no estômago que acabara de receber, como acontecia comigo frequentemente lendo Nelson Rodrigues, García Marquez ou Dostoiévski. Rand trazia uma leitura despretensiosa, quase que uma literatura de rodoviária, enquanto eu o lia, pensava: "esse livro não seria respeitado como literatura de ponta se não fosse a hype que os hipsters criaram em torno dele".

São livros que, mal comparando, se não são uma já mencionada literatura de ponta, poderiam render bons filmes hollywoodianos e séries distópicas, como Jogos Vorazes, Maze Runner, Divergente e etc. Mas que, se posicionando-o ao lado de Harry Potter e Senhor dos Anéis, por exemplo (não a nível de história, mas literatura) ele perde feio, muito feio. 7 x 1.

Então, como esse livro foi exaltado ao posto de "guru" da alt-right? Conforme fui lendo, percebi que algo completamente bizarro dava o tom da história, o povão, os oprimidos, eram descritos como indolentes, preguiçosos, safados, ordinários, portadores e culpados por todas as desgraças da humanidade, enquanto que os altruístas e heróis, formavam a elite daquela sociedade, os Estados Unidos. Mal comparando com um termo do "occupy wall street", era como se o 99% fosse o vilão e o 1% herói.

Terminei os livros angustiado e com uma sensação, "como pode uma merda dessas encontrar tantos adeptos com uma falsa ideia de liberdade?".

Bons ou ruins, este conjunto de "teóricos" estão formando as cabeças do "centro" da sociedade e a maneira de como os nossos jovens pensam e exercem pressão sobre as instituições e imprensa. Acreditar que eles defendem a liberdade por que eles sequestraram este termo, porque eles são bem humorados, "zoeiros", e são jovens que se dizem "trabalhadores", é um erro.

Desconhecer as intenções das ideias que eles defendem, é um erro ainda maior. Não existe simetria entre o que o MBL defende com o que o MST defende. O MST, por exemplo, é reativo a séculos de exploração e não é violento, apesar de sua estética ser permeada assim na mídia, já o MBL, possui violência ativa, odiosa, de caráter indigno.

Essa gente está colocando o país e a vida de pessoas em risco.

Texto publicado no Facebook por Vinícius Carvalho.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os Estranhos


(Queer - Autoral)

Enquanto a população dos estranhos (homossexuais, transgêneros, e qualquer um que destoa do padrão arbitrado) está subjugada, os nazistas não precisam aparecer. Quando os estranhos põem a cara no Sol e brilham, os nazistas aparecem.

Os conservadores bradam: estranhos dão munição pra extrema-direita brilhando dessa forma! (Como se precisassem de munição).

Querem os estranhos subjugados, mas o brilho está crescente.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Siddharta - Hermann Hesse

Resultado de imagem para Sidarta hermann hesse
(Siddharta, Hermann Hesse - 1922)
"Se as coisas forem aparência, também eu sou aparência e elas são, assim, iguais a mim. É isso que as torna tão queridas e veneráveis aos meus olhos: elas são iguais a mim. É por isso que as posso amar. E isto é um ensinamento que te fará rir: o amor, Govinda, parece-me ser o mais importante. Compreender o mundo, explicá-lo, desprezá-lo, são coisas que poderão agradar aos grandes pensadores. Mas eu considero mais importante amar o mundo, não o desprezar, não o odiar nem me odiar, observá-lo, a mim e a todos os seres com amor e admiração e respeito."
Este é um trecho do livro que me entusiasma sempre.