segunda-feira, 25 de abril de 2011

fantasma digital

 (autor desconhecido)*

é estranho, o mundo digital, não fazem dez anos que uso a internet e já enocontro palavras minhas perdidas pela rede. num dias desses sonambulo vagando pela web, invento de proucurar 'hantaromal' - nome inicial de uns dos meus primeiros 'e-mail-adolescente' - no oráculo Google e dentre vários links de mensagens em fóruns religiosos, comentários banais em blogs alheios, encontrei o link de um blog que montei no período de novembro de 2005 a maio de 2006, chamado hantaromal.pop.com.br - blog de um site que estava montando na época. releio e percebo o quanto as coisas mudam em poucos anos nos fazemos outra pessoa. penso, sera que me reconhecerei nos links do Google daqui a 20 anos quando pesquisar um apelido que uso hoje na internet?  bits abandonados, sucatas de redes sociais, palavras extintas, somos um a cada segundo.

"o mundo é um moinho" - Cartola

*ps. a imagem foi retirada da postagem de um texto - Se eu fosse virtual - no blog 2PASS.WORD. o texto veio a calhar.

obrigado pela visita.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

protestos, protestos e rap

(Charge de Bill McLemore)

O mundo esta borbulhando no oriente médio, após a queda dos ditadores da Tunisia e Egito, seguem vários focos de protestos em países da região, entre eles Líbia, Bahrein e Iemen, são países onde os protestos estão sendo reprimidos com violência extrema, falam sobre um massacre na Líbia.

Aos que temem a instauração do fundamentalismo islâmico neste processo de democratização no mundo árabe, é cedo para concluir algo, os protestos mostram claramente o descontentamento da população com a atual forma de governo, um líder só é líder quando o povo o reconhece como tal, não vai adiantar da força bruta.


(repressão em protesto pacifico em Bahrein)


(aumenta repressão em protestos na Libia)

Vamos assitindo os protestos e derramamento de sangue, como se fosse atores e figurantes num filme retratando um marco histórico e continuamos nossas vidas banais e confortaveis - num domingo entediante. A internet ocupa o lugar da 'tv', visitar um próximo site é como mudar de canal e esquecer que em outro lugar as ruas estão em chamas.


Libya Protest Salute from Libya Freedom on Vimeo.

(rap em prol aos protestos contra o regime de Muammar Kadafi)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

raios de luz






um raio de luz,
trêmulo;

capturado em formas,
riscos de luz;

energia. tal qual a vida ...

(Leandro Correia)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Der Baader Meinhof Komplex



Filme sobre o grupo de extrema esquerda Fração do Exército Vermelho (alemão: Rote Armee Fraktion ou RAF), também conhecida como Grupo Baader-Meinhof;

É no mínimo intrigante a disposição dos integrantes em doarem suas vidas por um ideal, para quem crítica o uso de armas e violência, a polícia faz isso todos os dias, inclusive o que desencadeou a formação do grupo, foi o assassinato de um jovem estudante em um protesto na Alemanha;

Hoje a polícia repreende qualquer protesto com balas de borracha, e somos obrigados a nos render; A polícia esta trabalhando em favor de quem? Se os jovens não podem protestar contra o aumento na tarifa de ônibus ...

Excelente filme! - Tanto do ponto de vista artístico, quanto histórico, apesar de não contribuir muito na compreensão dos objetivos da RAF.

ps. Veja uma reportagem publicada no jornal Brasil de Fato sobre a repressão da polícia contra uma manisfestação pacífica organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento nas tarifas de ônibus na cidade de São Paulo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A cidade





A cidade cresce
transmuta, muta

fede ...

(Leandro Correia)

Fotos dos trabalhos de José Augusto Amaro Capela, vulgo Zezão, conhecido por sua atividade nos subterrâneos de São Paulo, Zezão entra por bueiros e invade os canais de águas pluviais que correm em direção aos rios Tietê e Pinheiros, descobrindo a beleza no monstruoso lixo paulistano.

Para conhecer mais sobre a obra deste artista, acesse sua galeria no Flickr: Fotos do Zezão

Acesse: Reportagem feita pela Folha de São Paulo sobre o grafiteiro - 03/07/2005

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Consolo na praia

(Van Gogh- Noite de Outono)

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

(Carlos Drummond Andrade)

sábado, 6 de novembro de 2010

Idéias Compartilhadas

PERVERSIDADE


Muito já se escreveu sobre o dinheiro. Não tenho a pretensão de acrescentar algo inusitado e pertinente, apenas lamentos e desabafos na forma de crônica mal humorada. Computador meu, cabeça oca minha.

A busca de dinheiro bastante para vivermos com relativa dignidade burguesa consome nossa vida. Ele é central e mortal. Está configurado o absurdo em seu estado bruto.

Não me dou bem com ele; o uso com raiva; trabalho com raiva quando me vejo reduzido a um caçador de salário; consumiu-me toda a vida adulta, que já vai pela bola sete. A pouca arte que crio nunca me deu dinheiro algum. Acabo dando. Porque me pedem ou porque ofereço. Nunca me perguntam quanto custa. Gerente de banco não passa de um quitandeiro perverso, que, em vez de batatas, vende dinheiro a preços escorchantes.

Não vejo mesmo sentido algum na vida, essa que a humanidade consome nas cidades, correndo atrás de dinheiro. Como galinha, acorda bicando e ciscando, e vai assim até o anoitecer. Esta ausência de sentido, inefável e intangível, não me incomoda tanto; assim como o mistério do universo. Não sinto a menor falta de deus (-es) ou mesmo de fé; apesar de concordar com Woody Allen, para quem os adeptos de crenças parecem (ou são) mais felizes. Felicidade não é coisa que me interesse. O prazer anda por aí; às vezes, nos encontramos.

O dinheiro desencadeia obsessões aterradoras, mas também favorece a conquista de alguns prazeres adquiríveis, confessáveis ou inconfessáveis. Enfureço-me quando sei que, sem ele, não há sobrevivência. O escambo está fora de ordem, como sabemos. O dinheiro toma contornos de autoridade. Para mim, não há autoridade legítima, confiável. Consumada numa pessoa ou abstrata. Nenhuma. Desconfio, duvido, desautorizo e me armo. A hierarquia é uma fabulação sinistra.

Prefiro a noção de que as pessoas têm tarefas autoimpostas a cumprir em momentos passageiros, curtos ou demasiadamente longos. São tarefas diferentes e complementares entre membros de um mesmo projeto instituído. O que não implica sobrepujança de uns sobre os outros. Noção inútil nas relações de trabalho que nos são impostas. O “Eu mando, você obedece” resulta em mecânica que, em algum momento, vai azedar.

O dinheiro, em sua forma mais pedestre, mero meio de pagamento de produtos e serviços, não existe na dimensão empírica de nossa vida acentuadamente urbana. É meio que vaza para fim, num piscar; em simbiose neurótica que, à maneira de um stand-by, antecede a demência. Esta, como o prazer, também está por aí em 69 prestações. Os encontros são profícuos em sua incerteza perversa. Parece que o desejo não nos faz muito bem, ou nunca sabemos como lidar com ele. Para piorar, o dinheiro vem transfigurado em sua sombra, na forma de dívidas intermináveis. Diante da necessidade e do desejo, o bicho-homem insiste nos dois; muitos insatisfeitos, poucos cinicamente obesos.


Texto retirado do blog Dilema Paulistano: divagações em torno da vida urbana e outras elucubrações, texto do arquivo 24/10/2010 a 31/10/2010. Postado por Antônio Rebouças Falcão.

Vamos gerar um descontentamento massivo!