sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sobre a carga tributária do Brasil

A carga tributária do Brasil é de 34,4%.

O que isso quer dizer?
Nada.
A do Chade é 4,2%, de Angola 5,7% e Bangladesh 8,5%.
A do Reino Unido é 39%, da Áustria 43,4% e da Suécia 47,9%.

Alguém pode vir com alguns poucos exemplos de países que pagam menos do que nós e estão melhor, mas isso também não quer dizer NADA.

O problema real tem muito mais a ver com a forma como é cobrado. Como já escrevi em vários textos, o Brasil cobra
– muito no consumo e
– pouco na renda.

Isso na média. Porque mesmo na renda se cobra
– pouco de quem está em cima
– muito de quem está embaixo.

Resultado:
– A galera de baixo é a que mais sente
– A galera do meio é a que mais paga,
– A galera de cima não sente e (quase) não paga.

Como assim?
Se você ganha até R$ 1900, como 66% dos brasileiros, não paga imposto de renda. Mas todo o seu dinheiro vai para a subsistência, que é taxada. Absurdamente taxada.
Sobra nada.
E ainda usa um serviço público ruim.

Se você ganha entre R$ 2000 e R$ 6800, como 25% dos brasileiros, pode pagar até 27,5%. E também gasta muito para sobreviver, então paga alto.
Sobra pouco.
E não quer usar o serviço público ruim, então sobra menos ainda.

Bom mesmo é quem ganha muito.
Mas muito, aquele 1% de cima, sabe?
Esse reclama porque a empresa dele é taxada, mas embute isso no preço dos produtos – aquele imposto que mata o resto dos brasileiros – enquanto tem sua renda isenta. Chamam de lucros e dividendos.
Sabe quantos países isentam lucros e dividendos?
Dois.
Brasil e Estônia.
Quando muito, essa galera de cima paga aquela média de 3% sobre o patrimônio, enquanto a média mundial está entre 8% e 12%.
E aí ficamos discutindo se a CPMF é boa ou ruim.
E por quê?
Porque a galera do meio compra facinho o discurso de que a carga tributária é alta.
Só que a Suécia tem 7 vezes mais dinheiro por habitante para gastar no serviço público.
Mas a galera de cima não usa serviço público.
Ela quer mesmo é pagar ainda menos imposto.
Então, vende esse discurso para a galera do meio, que passa a querer
– imposto baixo angolano e
– serviço público sueco.
É isso.
Reflita.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Grande esperança

Em 1987 Chico Rey e Paraná cantavam sobre os trabalhadores, reforma agrária e crise. Que retrocesso o "sertanejo universitário", enfim, tudo é pasteurizado pelo consumismo.

Para ouvir:


A classe roceira e a classe operária
Ansiosas esperam a reforma agrária
Sabendo que ela dará solução
Para situação que está precária.
Saindo projeto do chão brasileiro
De cada roceiro ganhar sua área
Sei que miséria ninguém viveria
E a produção já aumentaria
Quinhentos por cento até na pecuária!

Esta grande crise que a tempos surgiu
Maltrata o caboclo ferindo seu brio
Dentro de um país rico e altaneiro,
Morrem brasileiros de fome e de frio.
Em nossas cidades ricas em I'móveis
Milhões de automóveis já se produziu,
Enquanto o coitado do pobre operário
Vive apertado ganhando salário,
Que sobe depois que tudo subiu!

Nosso lavrador que vive do chão
Só tem a metade da sua produção
Porque a semente que ele semeia
Tem quer à meia com o seu patrão!
O nosso roceiro vive num dilema
E o problema não tem solução
Porque o ricaço que vive folgado
Acha que projeto se for assinado,
Estará ferindo a constituição!

Mas grande esperança o povo conduz
E pede a Jesus pela oração,
Pra guiar o pobre por onde ele trilha,
E para a família não faltar o pão.
Que eles não deixam o capitalismo
Levar ao abismo a nossa nação,
A desigualdade aqui é tamanha
Enquanto o ricaço não sabe o que ganha
O pobre do pobre vive de tostão

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Tipo árvore



Busco admira-los
como admiro
as árvores

Árvores são belas
cheias de sabedoria

Árvores não sabem
sobre o bem e o mal

segunda-feira, 18 de abril de 2016

PMDB e "UMA PONTE PARA O GOLPE"

O PMDB lançou um programa intitulado "UMA PONTE PARA O FUTURO" onde explicita suas propostas e convidam "a nação a integrar-se a esse sonho de unidade". (?)

Vou expor algumas destas propostas aqui e traduzir o que esta escrito a partir da minha interpretação.


Tradução: Sucatear os serviços públicos para serem dominados pela iniciativa privada. Escancarar o petróleo para corporações estrangeiras.


Tradução: BRICs que se dane.


Que diabos de "convenções coletivas"? Tradução: Ferrar com as leis trabalhistas.


Tradução: Negligenciar ainda mais o ambiente.


 Não, obrigado golpistas.

terça-feira, 29 de março de 2016

Achados: Só dói quando ...


Cof cof cof, quanta poeira e teias de aranha. Há quanto tempo não apareço por aqui.

Encontrei uma sequencia de imagens, nos comentários do Facebook, que me inspiraram a publicar. Tudo começou com a página da Zica postando uma arte do Jajá Félix um artista que não conhecia mas já considero pacas. (Inclusive esta com um projeto, Jajá Félix - O livro, no Catarse).


Nos comentários da postagem surge um assunto sobre a arte do cara ser uma releitura do Ziraldo.


Então aparece um sujeito alegando que a do Ziraldo é releitura do Nassará (um artista incrível que não conhecia e ainda não me conformei). Não sei até que ponto uma foi inspiração da outra, mas me intrigou a reprodução da temática por distintos desenhistas. E esta expressão "só dói quando" com os desfechos, é demais!



Só queria registrar essa sequencia. E a gratidão por conhecer o trabalho de mais alguns artista.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Hitler Ganhou a Guerra - Walter Graziano

Trechos do livro:


(Hitler Ganhou a Guerra, Walter Graziano - 2004)

1. NASH: A PONTA DO NOVELO

"É necessário reforçar que Nash descobre que uma sociedade maximiza seu nível de bem-estar quando cada um de seus indivíduos age em favor do seu próprio bem-estar, mas sem perder de vista também o dos demais integrantes do grupo." 

 "Lipsey e Lancaster, descobriram o denominado "Teorema do Segundo Melhor". Essa descoberta enuncia que, se uma economia, devido às restrições próprias que ocorrem no mundo real, não pode funcionar no ponto máximo de plena liberdade e concorrência perfeita para todos os seus atores, então não se sabe a priori o nível de regulação e intervenções estatais de que o país necessitará para funcionar da melhor maneira possível. Em outras palavras, o que Lipsey e Lancaster descobriram é que é possível que um país funcione melhor com uma maior quantidade de restrições e interferêias estatais do que sem elas. Ou seja, que bem poderia ser necessária uma atividade estatal muito intensa na economia para que tudo funcione melhor. O que se pensava até o momento era que, se o máximo era inalcançável porque o "mundo real" não é igual o mundo da teoria, então o ponto imediatamente melhor para um país era o da menor quantidade de restrições possíveis para o funcionamento da plena liberdade econômica. Pois bem, Lipsey e Lancaster derrubaram há mais de meio século esse preconceito."

"Como a Teoria dos Jogos, o Teorema do Segundo Melhor quase não é explicado aos economistas em universidades públicas e privadas. Mesmo quando suas implicações são enormes, geralmente o tema já é dado como aprendido em somente uma aula - em apenas uma meia hora - e passa-se a outro assunto. Fica parecendo quase uma "esquisitice" exótica inserida nos programas de ensino, uma curiosidade para a qual não se costuma dar muita importância. Erro crasso"

"Se combinássemos as descobertas de Nash, Lipsey e Lancaster, o que obteríamos é que não se pode estabelecer a certa distância, e de antemão, o que é melhor para um determinado país, mas sim que isso dependerá de uma grande quantidade de variáveis. Portanto, toda universalização de recomendações econômicas é incorreta. Não se pode dar o mesmo conselho econômico (por exemplo, privatizar, desregular ou eliminar o déficit fiscal) para todo país e em todo momento. No entanto, isso é precisamente o que se vem fazendo cadavez com mais intensidade, sobretudo desde a década de 1990, quando, ao ritmo da globalização, foram encontradas receitas que têm sido ensinadas como universais, como verdades reveladas, que todo país deve sempre aplicar."

(Em construção)


terça-feira, 15 de maio de 2012

Regresso ao Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

Trechos do livro Regresso ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, escrito em 1959. Neste livro  Huxley faz uma nova análise do mundo complementando “Admirável Mundo Novo” com algumas comparações interessantes com a obra de Orwel, 1984, que também trata de forças totalitárias governando o mundo.

Com este post, quero apenas registrar trechos na íntegra que me interessam do livro. 


(Regresso ao Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley - 1959) 

"À medida que o mecanismo de produção em massa se torna mais eficiente tende a tornar-se mais complexo e mais dispendioso - e portanto, longe do alcance do homem empreendedor que possui poucos recursos. Além disso, a produção em larga escala não pode funcionar sem uma distribuição em grande escala; a distribuição em grande escala apresenta problemas que só os maiores produtores podem resolver razoavelmente. Em um mundo de produção e de distribuição em grande escala os Pequenos, com o seu fundo insuficiente de capital operante, vêem-se em grande desvantagem. Em competição com os Grandes perdem o seu capital e, finalmente, a sua própria existência como produtores independentes; os Grandes engoliram-nos. Quando os pequenos desaparecem, é cada vez maior o poder econômico que passa a ser manipulado por mãos cada vez menos numerosas. Sob uma ditadura, o Alto Negócio, tornado realizável pelo progresso tecnológico e pela consequente ruína do Pequeno Negócio, é controlado pelo Estado - isto é, por um grupo pequeno de chefes políticos e de militares, policiais e funcionários civis que lhes exexutam as ordens."
- página 40


"Qualquer cultura que, no interesse da eficácia ou em nome de qualquer dogma político ou religioso, procura padronizar o indivíduo humano, comete um ultraje contra a natureza biológica do homem."
- página 43


"A vontade de ordem pode converter em tiranos os que aspiram simplesmente a desfazer a confusão. A beleza da boa ordenação é aplicada como justificação para o despotismo"
- página 45

"A vida nas cidades é anônima e, por isso mesmo, abstrata. As pessoas se relacionam umas com as outras, não como personalidades integrais, mas como personificações de funções econômicas ou, quando não estão no emprego como pessoas que procuram irrefletidamente o entretenimento. Sujeitos a uma vida desta espécie, os indivíduos tendem a sentir-se solitários e sem importância. A sua existência deixa de ter qualquer importância ou qualquer sentido."
- página 46
(Em construção)